Kit de aplicação da TSB: ficha, registro de evidências e três exemplos preenchidos
O kit reúne uma ficha de trabalho, um registro de evidências e pendências, um checklist documental e exemplos preenchidos de solar, café e retrofit. A finalidade é ajudar quem já encontrou a atividade relevante a preparar um dossiê que possa ser conferido, atualizado e usado com uma conclusão proporcional à prova.
Os modelos são editoriais. Não são formulários oficiais, certificação ou atalho para classificar uma empresa inteira. Os três casos são inteiramente hipotéticos, com documentos fictícios e pendências deliberadamente visíveis. A referência é a primeira edição final dos cadernos disponibilizada pela Fazenda, consultada em 04/10/2026.
Comece pela decisão que precisa tomar
Antes de preencher, escreva uma pergunta concreta: preparar um investimento para avaliação? Responder à exigência de um banco? Rever uma alegação? Organizar evidências de um projeto comunitário? Registre quem utilizará o resultado e qual instrumento, se houver, define a exigência.
Uma ficha deve preservar objeto, localização, período, etapa e exclusões. É possível usar o mesmo modelo em três investimentos, mas a conclusão de um não se transfere aos outros. Documentos comuns só podem ser reaproveitados quando cobrem a mesma organização, condição e período pertinente.
O guia de enquadramento explica a classificação. Aqui, o foco é o registro preenchível e a revisão do trabalho produzido. Para localizar os dez módulos e os guias relacionados, consulte o índice da série.
Como separar os campos do kit das exigências da fonte
Cada linha de análise identifica a origem: TSB, quando resume um critério do caderno ou ato; Instrumento, quando registra condição de contrato, edital ou regra específica; ou Editorial, quando organiza uma recomendação deste kit.
Esses identificadores não transformam todo conteúdo dos cadernos em obrigação jurídica universal. O Decreto nº 12.705/2025, arts. 6º–7º, prevê critérios, avaliação individualizada e implementação gradativa. A análise precisa conferir o uso concreto e suas condições, inclusive a hipótese específica de viabilizadores quando pertinente.
A ficha registra pergunta, organização, objeto, fronteira, etapa, período, fonte, instrumento, elegibilidade, contribuição substancial, NPS, salvaguardas, resultado, pendências, frase de comunicação e revisão. Esses campos são recomendados para rastreabilidade; preencher todos não prova que os critérios foram satisfeitos.
O registro que evita uma pasta cheia e uma conclusão vazia
Use uma linha por requisito ou pergunta verificável. Ela deve ligar:
- Objeto, dimensão e critério, preservando página, código e qualificadores
- Evidência, responsável, versão, data, período e localização do trecho relevante
- O que essa evidência demonstra e seus limites
- Situação, pendência, efeito sobre a conclusão, responsável e prazo acordado
- Revisor e data
Os estados internos do kit são: recebida e não examinada; em análise; demonstrado no recorte; insuficiente; descumprimento identificado; e não aplicável com justificativa. Não são categorias oficiais da TSB. Uma lacuna documental não prova, sozinha, descumprimento; tampouco sustenta conclusão positiva. “Não aplicável” precisa de fundamento, e não serve para esconder o documento que falta.
Um exemplo: a nota fiscal de um painel demonstra uma aquisição. O memorial pode apoiar a identificação da tecnologia. A documentação de coleta e reciclagem responde a uma questão diferente. Receber um arquivo não encerra a análise do critério. A mesma lógica vale para certificados de fornecedores, laudos energéticos e documentos da organização responsável.
Três exemplos preenchidos, com resultados limitados
Solar D3: o caso identifica uma instalação fotovoltaica hipotética de 1 MWp em cobertura existente. A ficha D3 qualifica diretamente a contribuição para mitigação; permanecem pendentes as evidências de NPS e salvaguardas. Os 900 MWh ilustrativos de janeiro a setembro resultam em 900 kWh/kWp no intervalo, sem virar limiar TSB, emissões evitadas ou receita alinhada. O kit mostra como registrar a pendência, em vez de emitir uma classificação automática. CNAE D, pp. 12–13
Café: a análise liga talhão, prática de cobertura e controle de erosão, investimento e condições do imóvel. Uma hipótese de R$ 100 mil captados e destinados à implementação daquela prática, com 25% em trator e 10% em edificação passa pelo teste aritmético de limites generalistas, mas não demonstra os três itens elegíveis essenciais, a implementação ou o NPS por objetivo. Uma foto isolada não comprova cobertura na maior parte do ano. A remissão social a A10 permanece registrada como pendência. O recorte usa o Apêndice A2 do Caderno CNAE A, distinto do Anexo A2 geral de vulnerabilidade climática. CNAE A, pp. 10–16 e 50–61
Retrofit F2: a hipótese comercial prevê DEP anual por área de 250 para 195 kWh/m²/ano, uma redução de 22%. O cálculo examina o item B no recorte indicado; não resolve condições da construtora, combinação dos itens A/B/C, NPS, salvaguardas ou comprovação da execução. A previsão de economia também não equivale à queda da conta de energia. CNAE F, pp. 10–13
As linhas preenchidas são amostras para aprender a trabalhar. Para um caso real, é necessário mapear integralmente a ficha, anexos e indicadores aplicáveis. Os módulos solar, café e retrofit explicam essas aplicações em profundidade.
O que deve existir ao encerrar uma rodada
Um conjunto utilizável contém ficha do objeto, mapa de requisitos, evidências localizáveis, cálculos rastreáveis quando pertinentes, conclusão delimitada e pendências acionáveis. Quem revisa deve conseguir refazer o caminho entre a fonte e a frase proposta.
Se ainda não houver base para concluir, registre a pergunta que falta resolver, quem a tratará e o efeito da pendência. Uma aprovação interna ou o preenchimento integral da planilha não substituem verificação independente quando ela for exigida pelo instrumento de uso.
O kit não calcula pontuação consolidada de equidade, diante das divergências documentais detalhadas no módulo de equidade. Os critérios claros continuam examináveis. Dados de pessoas devem ter tratamento adequado; o fórum não é destino para denúncias identificáveis ou documentos confidenciais.
Reabra a análise quando mudar o projeto, o período, uma evidência relevante, o instrumento de uso ou a versão técnica aplicável. Guarde a versão anterior e explique o que mudou. Essa manutenção torna o dossiê reutilizável sem congelar conclusões que já perderam a base.
Versão editorial 1.0, 04/10/2026. As recomendações de organização do trabalho não criam exigências adicionais da TSB nem promessa de financiamento ou certificação.